EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Foi na mesma época do basquetebol e do tênis de campo, que os primeiros praticantes do voleibol começaram a difundir o esporte em São José dos Campos. Década de 40. Local: quadra de cimento do Instituto João Cursino. Não havia clubes interessados e muito menos ginásios cobertos.

O basquete ganhou maior impulso, logo surgiram equipes competitivas, representando a Comissão Municipal de Esportes. O tênis de campo foi levado para quadras improvisadas e cedidas pelo Esporte Clube São José. Até que em 1948, com a fundação do Tênis Clube São José dos Campos houve espaço também para a prática do vôlei, mais como recreação.

Mais tarde, já no final dos anos 50, a Associação Esportiva São José também abre espaço para a prática do vôlei. Outro ponto de encontro dos praticantes do esporte da rede foi o CTA, onde os jogadores de basquete Alberto Marson e Wilson Bombarda incentivam o esporte. Com a inauguração do ginásio Linneu de Moura, a “Vermelhinha” (AESJ) abraça a causa do vôlei e começa um trabalho sério que tornou o vôlei um esporte popular e de grande aceitação entre associados do clube e torcedores em geral.

O vôlei feminino da Associação chegou a ser penta-campeão dos Jogos Abertos do Interior, sob o comando do técnico Wilson Bombarda. Era um elenco fantástico e um time que foi batizado de sexteto “brasa” pelo radialista Alberto Simões, fazendo alusão ao tempo da Jovem Guarda na música. “É uma brasa, mora!”. O sexteto “queimava” todos os adversários que tinha pela frente. Uma de suas formações: Teresa do Egito, Neusa, Linda, Keiko, Carmen Lúcia e Nazaré. E tinha muito mais: Mísia, Lucília, Marlene Pacheco, Dirce Bombarda, Albertina, Mércia Hirata, Auxiliadora, Marli e a jacareiense Dirce.

Na década de 60, a AE São José também montou a primeira grande equipe de vôlei masculino, trazendo para jogar e coordenar o trabalho o professor Alfredo de Andrade, o Una, grande nome do esporte regional, que vivia e até hoje está radicado em Pindamonhangaba. Uma equipe de ponta, que disputou o Troféu Bandeirantes de 1968, foi campeã do 17º Jogos Regionais de 1969 e vice-campeã dos Jogos Abertos do Interior, em Araraquara. O diretor de vôlei da “Vermelhinha” era José Miragaia Ferri, que tinha total apoio do presidente Linneu de Moura.

Entre as “feras’ do vôlei joseense estavam Una (técnico), Ditão, Eduardo, Procópio, Tinho, Domingos, Serginho e Baiano. Já no início dos anos 70, os custos para a manutenção de uma equipe de alto nível começaram a pesar nos cofres do clube. E sem apoio oficial, pois o DEMEFE – Departamento Municipal de Educação Física e Esportes – foi extinto pelo prefeito Sérgio Sobral de Oliveira, o vôlei masculino foi o primeiro a ser desativado. Não demorou muito para que o feminino também deixasse de ser competitivo.

São José dos Campos passou a viver no vôlei masculino e feminino de equipes colegiais e sem a menor chance de segurar as “estrelas” que despontavam. Participar de Jogos Regionais e Jogos Abertos era simplesmente cumprir tabela e para não matar de vez o sonho de quem gostava de praticar o esporte. A chama não se apagou. Mas demorou quase trinta anos para voltar a brilhar com intensidade. Só com o advento do FADENP – Fundo de Apoio ao Desporto Não Profissional – a cidade voltou a pensar em equipes competitivas de alto nível.

Em 1998, a Secretaria de Esportes importou uma equipe de ponta do vôlei masculino brasileiro para jogar em São José dos Campos. A Telepar veio para São José em abril de 98. O time, com base em Maringá, no Paraná, disputou a Copa São Paulo, os Jogos Regionais, os Abertos e o Campeonato Paulista pela cidade. Destas competições, o elenco conseguiu um segundo lugar nos Regionais e na Copa São Paulo. Nos Jogos Abertos e no campeonato paulista o time não foi bem.
Com isso, ficou afastada a possibilidade de a Telepar/Maringá voltar para São José, conforme estava previsto no acordo entre o time e a Prefeitura, de que o elenco paranaense disputaria o Campeonato Paulista pelo Vale por três anos. Afinal, a experiência não foi bem sucedida. O Secretário de Esportes e Lazer de São José dos Campos, Dalvi Rosa Moreira, descartou a vinda de uma equipe de ponta --seja no basquete ou vôlei-- para voltar a representar a cidade no ano de 1999.

Os dois últimos exemplos de investimento no vôlei foram o Johnson Clube, no vôlei masculino (2001-2002) e o Tênis Clube/Cadsoft no vôlei feminino (2000-2002). No feminino, tivemos até uma atleta convocada para a Seleção brasileira (Vanessa). E também com o apoio de Oscar Calçados, ganhamos um título brasileiro da Liga Nacional (veja em cronologia). Equipes de ponta, com o feminino disputando até a Superliga.

Antes, como vimos acima, havia sido importada uma equipe da Telepar (Paraná), no masculino, sem efeito duradouro, sem criar raízes na cidade. O feminino do Tênis chegou a disputar a Superliga. Mas foi tudo muito passageiro. E apesar do FADENP, voltamos ao tempo das vacas magras ....

 

 

Todos Direitos ©2009-ALBERTO SIMÕES
Criação e Hospedagem ADAWEB